Radar · Edição do Dia

16.10.26

Sexta-feira Edição nº 195

O Supremo do Master

§ 01

Temas quentes do dia

5 itens

1. Lula adere à maioridade penal, e a PEC sai da pauta Na sabatina do Jornal Nacional, Lula disse ser a favor de reduzir a maioridade penal para 16 anos nos crimes hediondos, "mas não discutindo nessa PEC" (Poder360, G1, Folha, manchete do Meio). "Como cidadão brasileiro, a todo e qualquer crime hediondo eu sou favorável a diminuir a penalidade", afirmou. No mesmo dia, Davi Alcolumbre tirou a PEC da Segurança da pauta do Senado. Duas emendas disputavam o texto. A do PL, de Rogério Marinho, fixava 16 anos e baixava para 14 nos hediondos. A do PT, de Camilo Santana, coordenador da campanha de Lula, fixava 16 só nos hediondos. O líder do PT disse a aliados que agiu com aval do Planalto (Folha). A PEC deve ficar para depois do segundo turno (CNN Brasil, Agência Brasil). Teresa Leitão, líder do governo, disse que nenhuma emenda sobre o tema vai prosperar na PEC. Marinho disse que Alcolumbre age "a serviço" do governo. O relator, Rogério Carvalho, falou em "malabarismos" e disse que não há consenso. O PL vai pedir destaque.

A virada custou atrito em casa. Há incômodo no PT, e a CNBB criticou (Poder360). José Guimarães admitiu que a briga interna ajudou a adiar a votação (G1). A propaganda de Lula passou a falar em "bandidagem". Flávio Bolsonaro ironizou a mudança do PT e prometeu oito anos de pena para roubo de celular (G1). Segundo o Poder360, o governo avalia apoiar a redução "em outro momento". No Ipsos-Ipec de setembro, 71% apoiavam reduzir a maioridade. Lula foi para onde está o eleitor.

Ontem a pergunta era quem ficaria dono do medo. Hoje os dois candidatos carregam a mesma bandeira, e nenhum deles apresentou um plano. Lula aderiu na fala e tirou o tema do voto. A oposição quer o voto para expor o governo. A bandeira não custa nada a nenhum dos dois.

2. O Supremo do Master A piauí reconstituiu, a partir de 125 mensagens do celular de Daniel Vorcaro apreendido pela PF, a noite de 28 de fevereiro de 2025 no tríplex do banqueiro no Itaim Bibi ("Os vestígios da noite", de Breno Pires, Ana Clara Costa e João Batista Jr.). A festa foi organizada para Kassio Nunes Marques. Houve chef, cinco latas de caviar a R$ 15.100 e uma conta de cerca de R$ 27 mil. Um desembargador do TRF-1 reservou quarto no Fasano "pro KN". Vorcaro escreveu a um executivo que estava "fazendo graça para ministro em SP". A um amigo, pediu: "Tira aquele sofá da varanda... Tô passando vergonha."

O banco, naquele dia, estava abaixo do compulsório. Às 16h31 faltavam "800 mm". Às 20h20, "1.250". Vorcaro respondeu: "Demite Alberto. Vamos voltar eu e você e tentar salvar." O Master estava R$ 1,25 bilhão abaixo do mínimo exigido para operar (piauí). O banqueiro furava a regra do Banco Central enquanto recebia um ministro da corte onde corre o processo dele. A defesa do Master pediu três vezes que Kassio fosse o relator. Cinco meses antes, Kassio desempatou o caso Alcídia. Por uma consultoria, o Master repassou R$ 282 mil ao filho do ministro, Kevin Marques, que recebia R$ 500 mil por mês de Vorcaro. A revista falou em "apatia ética" do tribunal, que não tomou providência.

O fato de hoje vem da Folha. Depois das mensagens, Kassio estuda ampliar o período em que se declara impedido no caso Master. Em nota, o ministro disse que "nunca votou a favor de Daniel Vorcaro (inclusive deu voto pela manutenção da prisão), nunca trocou mensagens com ele e nem pediu nada ao banqueiro" e que "não pode se responsabilizar por conversas ou ações de terceiros".

O caso tem outra ponta. A CNN Brasil mostra que, em abril de 2025, numa conversa com o ex-sócio Augusto Lima, Vorcaro chamou de "melhor matéria" da semana a reportagem que revelou o contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório de Viviane Barci, mulher de Alexandre de Moraes. Foram pagos R$ 80 milhões em 2024 e 2025. Moraes, o escritório e Lima não comentaram.

Kassio também preside o TSE. Sem maioria e sem o voto do relator, Villas Bôas Cueva, tirou do ar por iniciativa própria o canal "Exército do Lula" (piauí). O tribunal acaba de mandar a Meta não interferir na distribuição de conteúdo político (G1). O Jota chamou a decisão de "Dois pesos e uma Meta". Na sabatina, Lula pediu "investigação de ministros do STF" e, na mesma fala, defendeu Moraes: "Eles querem cassar o Alexandre de Moraes porque o Alexandre de Moraes prendeu o pai do Bolsonaro". Vorcaro chegou aos dois lados do Supremo, ao ministro indicado por Bolsonaro e ao ministro que o bolsonarismo quer cassar. Cada lado quer investigar só o do outro.

3. Empate, e quem não tem lado pende para Flávio O Datafolha de 13 e 14 de outubro dá Flávio com 51% e Lula com 49% dos votos válidos. A pesquisa ouviu 2.520 pessoas em 153 municípios, com margem de 2 pontos. Na semana anterior, o placar era 52 a 48. Na estimulada, Flávio tem 47% e Lula, 45%. A rejeição de Lula é de 46%, e a de Flávio, de 44%. O governo tem 48% de aprovação e 50% de desaprovação (G1, Poder360). O PoderData/Aya, feito por telefone de 13 a 15 de outubro com 3.000 entrevistas e margem de 1,8 ponto, dá 50 a 50 nos válidos. Mas 51% esperam a vitória de Flávio, contra 42% que esperam a de Lula.

O número que interessa ao Centro Exausto vem da Folha: entre os eleitores não alinhados, Flávio tem 59% dos válidos e Lula, 41%. O centro pende contra Lula e vaza para a direita. Também escolhe pela rejeição menor, não por um candidato. E a violência lidera as preocupações do eleitor, à frente de saúde e economia (G1). Nesta reta, o crime virou a economia concreta.

Flávio é sabatinado no JN hoje à noite, e podem sair pesquisas novas (Poder360). A PF prendeu o deputado estadual Márcio Canella (União-RJ), e o PT tenta ligar o caso a Flávio. Lula disse na sabatina que "a Polícia Federal esteve no Rio de Janeiro interferindo numa das pessoas importantes do clã do Bolsonaro" (CNN Brasil, Poder360). Abraham Weintraub disse que não vai votar e citou suspeitas contra Flávio (Folha). Aliados de Lula atribuem o empate às ruas e à 6×1. A campanha de Flávio vê um eleitorado consolidado (Folha). Em Capelinha (MG), ao lado de Nikolas Ferreira, Flávio disse: "eles vão ter que aturar Bolsonaro subindo a rampa" (Poder360). Nove dias antes da urna, os dois lados acham que estão ganhando.

4. O Congresso dá, e ninguém diz quem paga O fim da escala 6×1 é promulgado hoje em sessão solene do Congresso (Agência Brasil). O Senado aprovou o teto de R$ 140 mil para o MEI e o perdão de R$ 15 bilhões em dívidas (Jota). A tarifa zero prometida por Lula custaria R$ 16 bilhões e "é apenas o primeiro passo", segundo um deputado ouvido pela Folha. Na sabatina, Lula disse que não vai cortar gastos: "Toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o pobre paga." E acrescentou: "O jeito de você resolver o problema fiscal é fazer a economia ficar crescendo". Afirmou que dívida se justifica para ferrovias, hidrelétricas e portos (Poder360, G1). Disse também que não sabia que o Bolsa Família tinha ficado anos sem reajuste (G1). O dólar subiu 1,15% e fechou a R$ 5,09 (Agência Brasil). O FMI projeta o Brasil de volta à oitava posição entre as economias do mundo em 2027 (CNN Brasil).

Leonardo Barreto, da Think Policy, descreveu à CNN Brasil o jogo duplo do Centrão. O bloco apoia Flávio no papel, com exceção do PSD, e vota pautas que ajudam Lula. Uma hipótese é que prefira Lula, porque o PL cresceu onde o Centrão perdeu. Segundo Barreto, as campanhas não sabem onde está o eleitor, e MEI, transporte e maioridade são tentativa e erro, uma "grande confusão". Flávio respondeu à tarifa zero com uma ironia, não com uma proposta: "A picanha tá vindo de ônibus" (Poder360). A conta da véspera chega em janeiro, para quem ganhar.

5. Mundo

  • Golfo. Um navio bateu numa mina em Ormuz e afundou, e há contêineres boiando no estreito (UOL). Os EUA planejam usar contra o Irã a GBU-43/B, conhecida como "mãe de todas as bombas" (G1). Trump tenta baixar o preço dos combustíveis, mas, como escreveu a CNN Brasil, "falta combinar com os iranianos". O petróleo de Ormuz chega à bomba de gasolina daqui.
  • Ucrânia. Trump chamou de "vergonha" os ataques ucranianos a refinarias russas (CNN Brasil). A ordem de limitar os satélites usados pela Ucrânia partiu da Casa Branca (G1).
  • América Latina. Os EUA mandam centenas de soldados à região (Gazeta do Povo). A Costa Rica inaugurou uma prisão inspirada no modelo de Bukele (Folha). Na Argentina, um protesto estudantil contra cortes terminou em confronto (G1). Na Colômbia, os protestos contra Espriella mostram a força da esquerda (O Globo). Em Nova York, Nicolás Maduro e Cilia Flores se declararam inocentes (G1).
  • EUA. Um tiroteio numa escola do Oregon deixou ao menos quatro mortos (UOL). Trump cancelou a transmissão ao vivo de um fuzilamento (Terra).
  • Outros. Os houthis bombardearam a área do palácio presidencial no Iêmen (G1). Um terremoto de magnitude 7 atingiu a Rússia (G1). O papa Leão XIV passou bem a segunda noite depois da cirurgia (UOL).
§ 02

Ranking de conversão

Tema Efeito espelho Urgência Conversão estimada Arquétipo
O Supremo do Master (Kassio, Moraes, Vorcaro, TSE) 10 8 ALTO (9,2) Independente / Apoiador
O Congresso dá, ninguém diz quem paga (6×1, MEI, perdão, tarifa zero, fiscal) 8 7 MODERADO (7,8) Estrategista / Curioso
Lula adere à maioridade, e a PEC sai da pauta 6 9 MODERADO (7,4) Estrategista / Independente
Empate no Datafolha, não alinhados com 59 a 41 6 9 MODERADO (6,5) Estrategista

A maioridade abre os temas quentes porque é o fato do dia e a manchete do Meio. A pauta fica com o Master, que atinge os dois lados ao mesmo tempo e tem uma decisão pendente, o impedimento de Kassio. Ontem o eixo foi o crime, e não convém repeti-lo.

§ 03

CENTRAL MEIO — Sugestão de pauta

5 itens

Tema principal — O Supremo do Master.

Por que este tema e não outro. O caso atinge os dois lados do Supremo no mesmo dia, e há uma decisão para hoje: a Folha diz que Kassio estuda ampliar o impedimento. O presidente do TSE está no meio do caso a nove dias do segundo turno. A maioridade tem mais barulho, mas repete o eixo de ontem, e Lula sozinho no centro da pauta puxa a leitura para um lado. O Master não deixa ninguém sair limpo, nem Lula nem o bolsonarismo. E Pedro salvou a reportagem da piauí à mão.

Ângulo.

  1. Abrir pelo fato de hoje. Depois da reconstituição da piauí, Kassio estuda ampliar o período em que se declara impedido no caso Master (Folha).
  2. O dado que tira a história do moralismo. No dia da festa, o Master estava R$ 1,25 bilhão abaixo do compulsório. O problema não é a noite. É quem pagou a conta e o que essa pessoa tinha pendente na corte.
  3. O espelho. Vorcaro chegou aos dois lados. De um, Kassio, indicado por Bolsonaro, presidente do TSE, de quem a defesa do Master pediu três vezes a relatoria. Do outro, o contrato de R$ 131 milhões com o escritório da mulher de Moraes (CNN Brasil).
  4. A hipocrisia simétrica. Lula pede investigação de ministros e defende Moraes. O bolsonarismo quer cassar Moraes e se cala sobre Kassio. Cada lado só enxerga o ministro do outro.
  5. Persuasão. O Supremo precisa sair forte desta eleição, e é por isso que o impedimento não pode depender da boa vontade de cada ministro. A piauí chamou a reação do tribunal de "apatia ética". A saída é uma regra de impedimento e de conduta com gatilho externo, e não o escândalo escolhido a dedo.

Cuidados.

  • Kassio nega ter votado a favor de Vorcaro e ter trocado mensagens com ele, e votou pela manutenção da prisão. Moraes, o escritório e Augusto Lima não comentaram. Nada prova voto comprado. A formulação correta é "favor pago por uma parte com processo na corte".
  • Não reproduzir os detalhes da noite e não expor as mulheres envolvidas. O assunto é conflito de interesse, não moral privada. O sofá, o caviar e o compulsório bastam.
  • Não sugerir que a urna ou a apuração estão em xeque. O que se discute no TSE são decisões sobre conteúdo, como o canal e a Meta, e não o voto.
  • Os metadados do arquivo do contrato de Moraes são indício levantado pela CNN Brasil, não prova. Atribuir.
  • Se sair pesquisa antes das 9h, ela abre o programa como gancho e a pauta continua a mesma.

Secundário: Lula e a maioridade, os dois candidatos com a mesma bandeira e nenhum plano. Reserva: quem paga a conta da véspera.

§ 04

Calibragem de discurso

6 itens

O Supremo do Master (Central Meio)

  • Encontro: "O Supremo virou intocável, e cada lado só vê o pecado do ministro do outro."
  • Persuasão: A saída é a regra, não a cassação. Impedimento e conduta com gatilho externo protegem uma corte que vai precisar ser forte depois do dia 25.

Lula e a maioridade (secundário)

  • Encontro: "Tenho medo e quero pena mais dura. Mas sei reconhecer um gesto de véspera."
  • Persuasão: Endurecer a lei é uma conversa legítima. Mudar de posição a dez dias da urna e tirar o tema da votação é marketing, e os dois lados fazem. Nenhum candidato apresentou um plano contra o crime organizado.

A conta da véspera

  • Encontro: "Todo mundo prometeu, e ninguém disse quanto custa."
  • Persuasão: O pobre também paga quando a dívida vira juro e inflação. Fiscal não é pauta de rico. E o Centrão que distribui hoje vai cobrar de quem ganhar.
§ 05

Alertas de viés

4 itens
  • Kassio sozinho puxa a leitura para a esquerda. Ele foi indicado por Bolsonaro, e a reportagem reforça o discurso de Lula sobre o TSE. Sempre parear com o contrato de Moraes e com a defesa seletiva que Lula faz de Moraes.
  • As frases de Lula na sabatina são fala de campanha. "A extrema direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas" e a ligação entre Flávio e Canella vêm de Lula. Atribuir. O "clã" e a suplência de Rogéria Bolsonaro são palavras de Lula, não da PF.
  • Datafolha. "Empate técnico" está correto, com 51 a 49 e margem de 2 pontos. Não escrever "Flávio lidera" sem ressalva e deixar claro que os 51% são dos votos válidos.
  • Cadência. A sexta pesa sobre Lula, com a maioridade e o fiscal, e sobre Kassio. O dia está equilibrado. Não acrescentar Canella como terceiro golpe em Flávio sem o contrapeso do contrato de Moraes.
§ 06

Tensão autor×público

Tensão 2, Lula, cruzada com a 4, punitivismo. O público aprova a guinada de Lula: 71% apoiam reduzir a maioridade. O instinto liberal de Pedro tende a ler a virada como populismo penal. A crítica deve ir ao método, ao gesto de véspera, feito fora da votação e sem plano, e não à posição. Reduzir a idade penal nos crimes hediondos é endurecimento da lei. Não cruza a linha vermelha da violência policial.

§ 07

Top of mind

3 itens
  • piauí, "Os vestígios da noite" (salvo por Pedro em 15/10). A reportagem é a base do Central Meio. Cruza com a Folha de hoje, sobre o impedimento, e com o pedido de Lula por "investigação de ministros".
  • Washington Post Opinions, Ryan Zickgraf, sobre a "Me Decade" de Tom Wolfe (carrossel visto em 15/10). O ensaio de Wolfe faz 50 anos. Zickgraf argumenta que a fase mais política dos EUA em gerações, de 2016 ao começo dos anos 2020, com a insurgência populista de um lado e o Great Awokening do outro, fracassou nos dois. A energia frustrada voltou para dentro de cada um. O texto descreve de fora o Centro Exausto. Rima com a "grande confusão" de Barreto, das campanhas que não sabem onde está o eleitor, e com os não alinhados que escolhem pela rejeição menor.
  • Eduardo Giannetti, no Canal UM BRASIL (reel de 14/10). Giannetti disse que dizer a um analfabeto que ele é livre para ler Machado de Assis é oferecer uma "liberdade completamente vazia". Chamou a má qualidade do ensino de "o análogo do século 21 da escravidão". A educação sumiu da campanha, enquanto Lula e Flávio disputam passe livre e picanha. Serve de contraponto ao "o pobre paga" de Lula: a liberdade que exige meios também exige uma conta que feche.
§ 08

Oportunidade da semana

Short explicativo: "Fim da 6×1: o que muda para você, e quando". A PEC é promulgada hoje. As buscas de cauda longa são altas: quando começa, como é a transição, quem fica de fora. O Poder360 diz que o Brasil terá uma transição mais curta que a de outros países. O vídeo é cívico e não toma lado.

§ 09

Insights

3 itens

Quote do dia

"A believer in the rule of law, this fictional Theseus was only too happy to break it when it suited him." — The Rise of Athens, Anthony Everitt

Em português: "Crente no império da lei, este Teseu ficcional tinha o maior prazer em violá-la quando lhe convinha." São dois ministros que interpretam a lei para o país e não aplicam a si mesmos a regra do impedimento. Everitt avisa que esse tipo vai aparecer de novo.

Mais aspas

"no one has to feel shame anymore because no norm has been violated." — The New York Times, Thomas L. Friedman

Em português: "ninguém precisa mais sentir vergonha, porque nenhuma norma foi violada." Friedman cita Dov Seidman.

Conexão do vault

  • Arquivo 1: [[faoro_republica_inacabada_resumo]] — Faoro vê no capitalismo brasileiro uma "nota patrimonial, não liberal". Os grandes interesses financeiros cresceram à sombra do governo, atravessados por "favores estatais e parasitismos ligados ao aparelho público".
  • Arquivo 2: [[lasch_revolt_of_the_elites_resumo]] — Lasch descreve a secessão das elites, que se desligam das obrigações comuns. No capítulo 11, "The Abolition of Shame", escreve que a cultura moderna não esconde mais a vida íntima. Exibe.
  • A conexão: O "Tô passando vergonha" de Vorcaro era sobre um sofá na varanda. Não era sobre o banco abaixo do compulsório nem sobre o ministro que ele recebia. Faoro explica por que o banqueiro precisa do ministro: o negócio cresce à sombra do Estado. Lasch explica por que ninguém fica vermelho: uma elite separada das normas comuns troca a vergonha moral pela vergonha estética. Pode virar uma coluna sobre o Supremo sem corregedoria.